Cantinho do Batuque

 Abrimos esta sala com dois cantinhos, duas famílias de obras: Gente Candombeira e Noite em Araruba.  

Gente Candombeira

 

"...primeira pintura mural coletiva que posso considerar Afrorreferenciada veio no 5º ciclo vital: a pintura Candombeiros. De julho de 2007 foi restaurada em julho de 2017 com o meu retorno à comunidade do Mato do Tição". VENTURA, 2021.

"(...) A comunidade quilombola de Mato do Tição, localizada na cidade de Jaboticatubas em Minas Gerais possui 35 famílias em um total de 176 moradores. O território que hoje ocupam consiste em uma parte do que foi, no passado, o terreno doado por um senhor a um grupo de escravizados, avós dos atuais patriarcas e matriarcas da comunidade, que ali trabalhavam em fins do século XIX.

(...) A comunidade, ao longo de sua história, conviveu com conflitos e tensões que envolveram a luta pelo território e pela sobrevivência. Após longo processo de expropriação e usurpação de suas terras originais, os moradores conseguiram, em 1981, o direito à usucapião, mantendo o seu exíguo território até os dias de hoje.

À efervescência cultural característica de Mato do Tição, agrega-se um crescente interesse por parte de pesquisadores, estudantes, ONGs, movimentos sociais etc. que visitam constantemente a comunidade possibilitando, dessa forma, um contato dinâmico dos moradores com pessoas de diversas localidades do estado e do país".

Fonte: SANTANA, Patrícia Maria de Souza, Modos de Ser Criança no Quilombo Mato do Tição – Jaboticatubas – Minas Gerais. Tese defendida no Programa de Pós-Graduação Conhecimento e Inclusão Social e Educação da Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte, 2015, pp. 12/13. Disponível em : https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUBD-AHNKUX/1/tese_de_doutorado_patr_cia_maria_de_souza_santana.pdf 

Movimento sagrado_ Mãos lavadas em tambú
Movimento sagrado_ Mãos lavadas em tambú

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Tia Divina do Matição, benção.
Tia Divina do Matição, benção.

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Tambús guardam Dantinho
Tambús guardam Dantinho

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Movimento sagrado_ Mãos lavadas em tambú
Movimento sagrado_ Mãos lavadas em tambú

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Três Candombeiros.jpg

"'Candombe é o nome dado a uma antiga dança dos escravos nas plantações, sendo o termo formado pelo prefixo kimbundo 'ka', significando costume ou uso, e a palavra kikongo 'ndombe', denotando 'dos povos negros'. O autor acrescenta que com mais a palavra iorubá ilê, significando casa, temos Candomblé, ou seja, casa do Candombe (ou dança com tambores). Por extensão, tornou-se a palavra genérica na Bahia para a própria religião e o local dos centros de culto do Candomblé'. 

A linguagem do Candombe é notadamente simbólica, sendo recorrente o uso de provérbios, advinhas e metáforas constituidoras da poética transmitida oralmente, enquanto função coletiva da linguagem, que se aproxima muito de culturas orais tradicionais existentes na África bantu. (...) Mais conhecidos como pontos, os cantos do Candombe são proferidos em forma responsorial, ou seja, alternados entre o solo e o coro. Ao centro da roda vai um candombeiro, conduzido pelo diálogo que ele estabelece com os tambores, puxando seu ponto. Essa entrada é demarcada pelo uso do guaiá, instrumento idiofônico que se assemelha ao ganzá do Coco de roda, e que é também encontrado com a mesma denominação no Batuque paulista.

(...) Tanto o ganzá quanto o guaiá, considerando neste último caso alguns grupos de Candombe em Minas Gerais, são instrumentos que simbolizam o poder daquele que está conduzindo a palavra viva, que faz dançar e cantar. Alguns pontos são intermediados por enunciações do Capitão acerca da história que explica os mistérios do surgimento do Candombe e da força de seus tambores. Depois que o solista puxa seus primeiros versos, o coro de cinco (ou até seis) vozes responde envolvido por uma força mística e linguagem simbólica, repetindo os versos do Capitão em projeções sonoras – vocalizações –, singularmente perceptíveis em cada indivíduo que compõe o acorde. 

Fonte: ARAUJO, Ridalvo Felix de. Candombe mineiro: É d’ingoma/ Saravano tambu/ Peço licença/ Pro meu canto firmá . Tese  defendida em Teoria da Literatura e Literatura Comparada da Universidade Federal de Minas Gerais. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/LETR-ARVMA3141/142.

 

Para chegar a criação da da obra Candombeiros, moradora das paredes do bar de Lei, no Matição, experienciei noites de candombe e águas de cheiros aquecidas por amigos e fogueiras. Destas nasceram dezenas de filhas e filhos à carvão que inspiram cores em profusão em minh'alma, culminando com os Três Candombeiros.

Três Candombeiros 

Acrílica/vinílica sobre algodão, 2007/2008,

140X160 CM

Montes Claros

Disponível na loja.

Tia Divina do Matição, benção..jpg

Tia Divina do Matição, benção.

Carvão sobre papel Canson, 2007,

42,5X35,5 CM

Mato do Tição

Acervo Matição.

Tio Dante toca caixa.jpg

Tio Dante toca caixa.

Carvão sobre papel Canson, 2007,

Mato do Tição

42,5X35,5 CM

Acervo Matição.

Mãos lavadas, tambu e cachaça.jpg

Mãos lavadas em tambú e cachaça.

Carvão sobre papel Canson, 2007,

Mato do Tição

42,5X35,5 CM.

Disponível na loja.

Dantinho prosieia o ar.jpg

Tambús guardam Dantinho

Carvão sobre papel Canson, 2007,

Mato do Tição

42,5X35,5 CM.

Disponível na loja.